por alepri | fev 1, 2021 | Excesso - definições e limites do conceito, Nex em publicações, NEX!!!

Artigo das pesquisadoras do NEX , Carolina Amaral e Mariana Baltar, acaba de ser publicado na Ilha do Desterro.
No texto, as autoras apontam as reconfigurações na matriz do melodrama através de um estudo de caso da série This is us (2016 – ). Partindo da análise da obra, observamos como as tradições do melodrama maternal são atualizadas no que propomos definir como melodrama paternal, construindo uma imagem de masculinidade que recupera noções de cuidado e sensibilidade, restituindo valores familiares. Apontamos também como esta série de sucesso se apresenta como inovadora através do uso intenso do controle temporal em uma narrativa não linear que, também neste ponto, acaba por atualizar outro elemento estético fundamental do melodrama: a antecipação.
Segue link para baixar o artigo: https://doi.org/10.5007/2175-8026.2021.e74914
por alepri | abr 30, 2010 | NEX!!!
Por Érica Sarmet
Bom, retomando a discussão do meu post anterior, se fôssemos classificar as séries de acordo com a maneira como as narrativas pessoais dos personagens se estruturam, teríamos dois (na verdade três, com as sitcoms e séries criminais) lugares bem diferentes:
1) Seriados em que o “trabalho” é a temática central, como Grey’s Anatomy, House, ER, Charmed, Supernatural: possuem narrativas que se desenvolvem e tem fim em cada episódio (por ex: pacientes, monstros a serem destruídos), porém as “narrativas pessoais” dos personagens principais são contínuas, o que pode atrapalhar o entendimento completo de um telespectador não-assíduo. Tendo como exemplo a série“Grey’s Anatomy”: o espectador pode acompanhar o que acontece com os pacientes e as cirurgias daquele episódio específico, mas talvez não compreenda porque um personagem está brigado com o outro, porque um deles está deprimido ou a quem eles estão se referindo ao dizerem “McDreamy” e “McSteamy”. Resumindo: mesmo possuindo arcos narrativos que começam e terminam no mesmo episódio, como as sitcoms e séries criminais, esses seriados se distinguem por possuirem arcos narrativos paralelos que se estendem ao longo dos episódios e das temporadas – quase sempre sendo a vida pessoal dos personagens o fio condutor dessas narrativas.
2) Seriados em que a vida pessoal dos personagens é a temática central, como Lost, Brothers and Sisters, True Blood, Vampire Diaries: apresentam quase que somente narrativas contínuas, tanto dos personagens quanto dos próprios episódios. Raramente algo que acontece em um episódio se limita a ele, como um personagem que surge em determinado episódio com uma narrativa própria e vai embora ao final dele com seu desfecho definido. É como se esses seriados se estruturassem como uma narrativa única com várias ramificações (o conceito de “flexi-narrativo*” se aplica completamente). É dificil chamá-las de “narrativas paralelas”, porque quase todas estão conectadas. A segunda temporada de“True Blood” é um ótimo exemplo: todas as narrativas próprias que cada personagem desenvolve acabam estando diretamente ligadas ao arco narrativo principal, que é a presença da Marianne em Bons Temps. Um espectador não acostumado a acompanhar um desses seriados pode ter dificuldades de compreender um episódio isolado dos outros.
A ideia, portanto, seria de que as séries e seriados poderiam ser classificados, também, com base na vida pessoal e na vida profissional dos personagens como condutores da narrativa. As sitcoms e séries criminais, tendo como temática central o trabalho, não desenvolvem as narrativas pessoais dos personagens. Já seriados médicos e sobrenaturais, como House e Charmed, também possuem o trabalho como sua temática central, porém as tramas pessoais são mais bem desenvolvidas e os personagens, mais complexificados. Seriados cuja vida profissional dos personagens estão em segundo plano, como Brothers and Sisters e True Blood, tendem a ter todas as narrativas desenvolvidas de maneira contínua e interligada, personagens super complexos, etc.
Essas definições não são fixas, como a Mariana bem frisou em seu post, mas são interessantes para discutirmos as classificações com base na estrutura da narrativa. Se séries são os programas que tem um desfecho definido, como Lost, e seriados são aqueles cujo desfecho está sempre em aberto, como True Blood, como esses dois produtos audiovisuais são tão parecidos em termos de estrutura narrativa? Isso seria o suficiente para colocá-las na mesma categoria? A maneira como as narrativas pessoais dos personagens são desenvolvidas é relevante o bastante para criar uma nova categoria de classificação? Será que todas as séries podem ser definidas por essas questões?
*flexi-narrativo: quando os arcos narrativos da obra são múltiplos e se apresentam como tramas de começo, meio e fim que podem se desenvolver em único episódio, como no caso das sitcoms, ou em uma temporada, como nos seriados.
por alepri | abr 29, 2010 | NEX!!!
Por Mariana Baltar
Pensando a partir do ótimo post da Érica e das discussões no grupo. As definições de formato (e isso se aplica também aos gêneros) são úteis principalmente porque nos fazem pensar com e a partir das narrativas. mas como a reflexão da Érica tem demonstrado, elas não podem ser gavetinhas onde localizar os programas.
Uma coisa boa de pensar, e que é nossa linha de discussão no grupo, é que definir/classificar não é um processo fechado; não é uma resolução definitiva, mas um marco referencial que serve, mais ainda do que para definir os padrões, para nos ajudar a enxergar melhor os desvios e apreciá-los de modo mais intenso.
ontem mesmo estava lendo um texto do Roland Barthes que me lembrou essa discussão, onde ele teorizava sobre a noção de estilo. o texto era o O Estilo e sua imagem e está no Rumor da Língua em que ele diz: “Escrever é, então, deixar vir a si esses modelos e transformá-los“. Mais adiante, ele lembra que o estilo, mais que as marcas individuais, está ligado aos códigos, aos modelos (padrões) que citados e desviados (um “corpo de vestigios”, diz ele – ADORO!) conformam também um outro sistema estilístico. De modo correlato (vejam, não igual) podemos pensar os gêneros. (aqui vale ler principalmente Steve Neale) e formatos.
Acabei desviando do assunto, quando na verdade queria era chamar a atenção para a necessidade de relativizarmos (ainda que seja super importante) as definições e distinções como essas entre série, seriado e sitcom.
o que importa também é nos perguntarmos quando se define? quando somos convocados a definir e distiguir? e como essa definição orienta um sistema de produção (que no caso da ficção seriada é fundamental) e uma experiência de consumo determinada.
enfim, coisas que pensei a partir da ótima estruturação da Érica e do grupo.